quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Criticada, PM envia spam para explicar ação no Pinheirinho

Após receber críticas pela forma como conduziu a reintegração de posse da comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), a Polícia Militar de São Paulo enviou spams via e-mail para explicar a operação e dar a sua versão do fato. O mesmo procedimento já havia sido adotado em outubro do ano passado, após a ação da PM na desocupação da reitoria da USP (Universidade de São Paulo).

Reintegração de posse em São José dos Campos (SP)

Moradores do Pinheirinho são abrigados em um ginásio, em São José dos Campos (SP), oferecido pela prefeitura da cidade após a desocupação do bairro, no domingo (22) 
A reportagem do UOL localizou quatro pessoas que receberam a comunicação da PM. Todas estranharam ter recebido o spam, já que nunca se cadastraram no site da corporação para receber e-mails.
  • A Arte elaborada pela PM sobre a ação no Pinheirinho
O texto saúda o destinatário com um “Caro(a) amigo(a) da PM” e vem acompanhado de uma arte didática explicando passo a passo o antes, o durante e o depois da operação segundo a versão da PM.
Na arte, a PM justifica a operação afirmando que a reintegração possibilitará que o pagamento do prejuízo dos antigos trabalhadores da Selecta, embora ainda não haja um destino certo para o terreno que abrigava o Pinheirinho.

PM rebate críticos

A ação da PM foi criticada por representantes do governo federal, como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, por parlamentares, como o senador Eduardo Suplicy (PT) e o deputado federal Ivan Valente (PSOL), entidades sindicais e dos direitos humanos além dos próprios moradores.
A relatora para o Direito à Moradia da ONU (Organização das Nações Unidas), a brasileira Raquel Rolnik, encaminhou à organização um relatório apontando violação de direitos humanos na ação. Vídeos que circularam na internet mostram a PM jogando bombas de efeito moral perto de mulheres e idosos. Outro vídeo mostra um homem negro sendo agredido com cassetetes por um policial. O secretário de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência, Paulo Maldos, foi atingido por uma bala de borracha durante a ação.
No e-mail, a PM afirma que a ação transcorreu “sempre dentro da legalidade e com respeito incondicional aos direitos humanos e às pessoas”. “Caso algum fato pontual tenha se desviado dessa orientação, será rigorosamente apurado”, diz a corporação.

 

 

A PM rebateu no texto o que chamou de “declarações falaciosas”, “propaladas por pessoas descomprometidas com os reais valores democráticos”, que “tentam macular a ação legítima realizada pelos policiais militares.”
No encerramento, a corporação se autointitula uma “instituição legalista”, que “em seus 180 anos de existência sempre trabalhou em consonância com o ordenamento jurídico e balizada em três princípios básicos, que são: respeito integral aos direitos humanos, filosofia de polícia comunitária e gestão pela qualidade”, afirma o texto.

"Ação de transparência"

Segundo o capitão Sanches, da comunicação social da PM, o envio dos e-mails é uma “ação de transparência” da corporação para “esclarecer informações desencontradas” que circulam em redes sociais.
O policial afirmou que a PM tem um mailing fechado, com pessoas que se cadastraram no site. Ele não soube explicar como os e-mails chegaram a destinatários não cadastrados, mas disse que internautas que já enviaram algum e-mail à PM também podem ter sido incluídos no mailing.

Fonte

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