Vinte e oito idosos já morreram este ano em Juiz de Fora vítimas de violência. Os números foram apresentados ontem, pela Polícia Militar, durante reunião da Comissão Especial do Idoso na Câmara Municipal. Conforme os dados, apenas nos cinco primeiros meses de 2011, foram registrados 4.545 boletins de ocorrências envolvendo pessoas acima de 60 anos. Desses, em 1.751 casos elas são qualificadas como vítimas, além de terem sofrido algum tipo de violência em 364 das vezes. Proporcionalmente, os números são semelhantes aos apresentados no ano passado, quando houve 74 mortes em todo o ano e 800 ocorrências em que eles foram agredidos (ver quadro).
Para tentar coibir o crescimento de registros envolvendo maus-tratos e agressões, a comissão vai propor, junto ao Governo estadual, a criação de uma delegacia especializada em violência contra o idoso em Juiz de Fora. O assunto deve ser discutido em reunião, com data ainda a ser definida, entre representantes da comissão e o governador Antonio Anastasia. O presidente da comissão, vereador Isauro Calais (PMN), ressalta que a delegacia seria importante para "agilizar os processos existentes e criar uma referência para a terceira idade". Segundo ele, a ideia é justificada mediante o número de ocorrências envolvendo este público. "Fiquei impressionado com os dados apresentados pela PM. Está claro que a situação é grave. Precisamos agir rápido."
Já a chefe do Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas) Idoso/Mulher, Maria Cláudia Siqueira Dutra, conta que a assistência social atende muitos lares em que os familiares desses idosos são dependentes de álcool ou drogas, o que contribui para o aumento da violência. Apenas nos quatro primeiros meses deste ano, 83 denúncias de maus-tratos foram registradas no núcleo. "Os assistentes sociais investigam cada uma delas. Acredito que, além da delegacia especializada, precisamos pensar em clínicas públicas para o tratamento de dependentes. Isso poderia contribuir na diminuição do número de ocorrências."
Segundo o assessor de comunicação organizacional da 4ª Região de Polícia Militar, major Sebastião Justino, em muitos dos delitos envolvendo idosos, o crime acontece de forma silenciosa e, portanto, há uma grande dificuldade em identificar e chegar aos infratores. "Precisamos do apoio da sociedade, seja por meio do disque denúncia unificado, 181, ou do próprio telefone de emergência da PM, 190. Precisamos do apoio da comunidade." Para ele, agressão contra o idoso é um problema social, e políticas públicas precisam ser criadas para coibir estas infrações.
Propostas da comissão
As outras propostas discutidas ontem, durante a reunião, foram a criação de uma vara especial na Justiça, capacitação dos profissionais de segurança pública para lidar com ocorrências envolvendo idosos, capacitação de cuidadores e a criação de um material educativo com objetivo de estreitar os laços familiares e coibir este tipo de violência. Os vereadores José Sóter de Figueirôa Neto (PMDB), Ana Rossignoli (PDT) e José Tarcisio Furtado (PTC), também membros da comissão, analisam a possibilidade de incluir as propostas no debate do Plano Plurianual e na Lei de Diretrizes Orçamentárias, que define os recursos a serem utilizados pelo Poder Executivo a cada ano.
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