Em Juiz de Fora, um flagrante de irresponsabilidade. O Conselho Regional de Medicina (CRM) vai investigar um médico suspeito de vender atestados por R$40. A clínica suspeita de falsificar atestados médicos fica na casa do próprio médico, o clínico geral Sidney David de Lanna. Com uma câmera escondida uma produtora da TV Panorama converscou com outros pacientes que já aguardavam a consulta.
No consultório, a produtora pediu um atestado para viajar no fim de semana. O médico reagiu com naturalidade. Rapidamente, ele consulta o calendário e recomenda um afastamento de cinco dias. Durante dez minutos de consulta nenhum exame foi feito. A doença usada como justificativa para o atestado foi uma sinusite.
O médico assina o documento e cobra R$40. Dias depois a equipe de reportagem voltou ao consultório. Para ter acesso é preciso passar por um portão. O médico chega da janela e joga a chave.
Sidnei recebe equipe e se diz surpreso com a denúncia. Na sala simples, com poucos equipamentos e mofo nas paredes, ele atende cerca de seis pacientes por dia. "Todo mundo que passa por aqui e recebe um atestado é consultado. Ou você está doente ou não está", diz o médico.
Segundo a norma do Conselho Federal de Medicina, é vetado ao médico atestar como forma de obter vantagens. Nesse caso, a venda do documento é considerada infração ética com implicações para o médico e para o paciente que procura esse tipo de serviço.
Muitas empresas já acionaram a delegacia do Conselho Regional de Medicina em Juiz de Fora com reclamações de funcionários que se afastam muito por meio de atestados. O caso da comercialização vai ser investigado.
"Tem coisas nesse sistema que quem tem que fazer sou eu. As pessoas vêm aqui porque precisam. Ninguém vem aqui sacanear o patrão”, conta o médico.
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